
O avanço do trabalho remoto levou muitos empresários a acreditarem que as diferenças salariais entre regiões brasileiras tenderiam a diminuir. Afinal, se é possível contratar alguém de qualquer lugar, o mercado não se tornaria mais homogêneo? O Radar ADM #1, com Thamiris Morais, mostra que a realidade é mais complexa. Mesmo com interiorização econômica e maior mobilidade profissional, as disparidades salariais no Brasil continuam fortes, especialmente quando analisamos cargos operacionais e níveis intermediários.
São Paulo ainda define a referência salarial
O estudo apresentado no episódio revela que a região metropolitana de São Paulo permanece como principal referência salarial do país. A explicação passa por uma lógica clássica de mercado: oferta e demanda. Quanto maior a concentração de empresas e diversidade de setores, maior a disputa por talentos.
Não existe um mercado nacional uniforme
Um dos pontos centrais do debate é que o Brasil não opera com um mercado salarial homogêneo. Para cargos de base, como assistentes, analistas e coordenações, o fator regional pesa muito. Esses profissionais têm menor mobilidade geográfica, o que mantém o salário fortemente ligado à realidade local.
Já em cargos de gestão e diretoria, a lógica muda. A mobilidade é maior, e empresas competem nacionalmente por esses profissionais. Estudos da Fundação Getulio Vargas EAESP indicam que executivos e cargos estratégicos tendem a operar em um mercado mais integrado, com menor influência das fronteiras regionais.
Custo de vida continua sendo variável decisiva
Outro fator estrutural é o custo de vida. Embora o estudo citado tenha focado nos salários pagos, é impossível ignorar que regiões com maior custo tendem a pagar mais. Empresas calibram suas políticas considerando não apenas concorrência, mas também o que é necessário para manter o profissional naquela localidade.
Dados do Dieese mostram que variações regionais de custo de vida influenciam diretamente negociações salariais e benefícios como vale-alimentação e auxílios complementares. Mesmo com trabalho remoto, muitos profissionais ainda permanecem fisicamente vinculados a uma realidade local.
O desafio para empresas em múltiplas regiões
Empresas que operam em diferentes estados enfrentam um dilema estratégico: padronizar salários ou regionalizar a política de remuneração. A primeira opção pode gerar distorções internas; a segunda exige gestão mais sofisticada.
Especialistas em remuneração defendem modelos híbridos, que consideram faixa nacional para determinados cargos estratégicos e ajustes regionais para posições operacionais. A chave está em manter justiça interna e competitividade externa ao mesmo tempo.
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Tecnologia pode reduzir parte da distância
Áreas como tecnologia já mostram sinais de aproximação salarial entre regiões. Quando a escassez de talento é alta, empresas precisam buscar profissionais fora do eixo tradicional e acabam pagando valores mais próximos aos grandes centros.
Relatórios da Brasscom indicam que o déficit de profissionais de tecnologia no Brasil força empresas a ampliar o alcance de contratação, pressionando salários independentemente da localização física.
O que isso significa para empresários
A principal lição do Radar ADM #1 é que o Brasil ainda não opera com um único mercado salarial. A geografia econômica continua influenciando remuneração, especialmente nos níveis mais operacionais. Para empresários, isso exige leitura estratégica constante.
Ignorar diferenças regionais pode comprometer atração e retenção. Por outro lado, ignorar mobilidade nacional em cargos estratégicos pode gerar perda de talentos. Equilibrar justiça interna, competitividade e realidade local tornou-se uma das decisões mais importantes da gestão moderna de pessoas.
Confira a entrevista completa com Thamiris no canal do Administradores:
Onde se paga melhor no Brasil? | Radar ADM #1



