várias linhas conectadas formando um cérebro flutuando em cima da logo do ChatGPT deitada em um chão azul e rosa

O fim do "achismo" na gestão e o novo papel do talento humano

Por

Anthony Dias

9 de jan. de 2026

O fim do "achismo" na gestão e o novo papel do talento humano

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Anthony Dias

9 de jan. de 2026

várias linhas conectadas formando um cérebro flutuando em cima da logo do ChatGPT deitada em um chão azul e rosa
várias linhas conectadas formando um cérebro flutuando em cima da logo do ChatGPT deitada em um chão azul e rosa

A era da gestão baseada puramente na intuição está se encerrando. Com a inteligência artificial, o empresário ganha um superpoder analítico capaz de prever cenários com precisão matemática, transformando a incerteza em risco calculado. No entanto, essa revolução traz um dilema urgente: como reconfigurar a força de trabalho para que a tecnologia atue como uma alavanca de potência para os colaboradores, e não como uma ameaça de substituição.

Do palpite à precisão cirúrgica dos dados

Tomar decisões complexas sempre foi o fardo solitário do líder. A IA Generativa e Preditiva muda esse jogo ao atuar como um conselheiro imparcial que analisa milhões de variáveis em segundos. Segundo a consultoria Bain & Company, empresas que utilizam IA para apoio à decisão tomam atitudes cinco vezes mais rápido e executam com maior probabilidade de sucesso do que aquelas que confiam apenas no consenso de reuniões.

Na prática, isso significa que o gestor deixa de perguntar "o que aconteceu?" (olhando para o passado) e passa a perguntar "o que vai acontecer se fizermos X?". A IA simula cenários de precificação, expansão ou estoque, permitindo que a decisão final seja blindada por dados concretos, reduzindo drasticamente o desperdício de capital em apostas erradas.

Decisão aprimorada e o impacto no trabalho

A IA suporta a tomada de decisão com insights baseados em dados, reduzindo incertezas. Este avanço redefine postos de trabalho, exigindo novas habilidades e adaptação. O impacto positivo surge quando a tecnologia é usada para ampliar o potencial humano, e não para substituí-lo.

A "Fronteira Irregular" da capacidade tecnológica

É crucial entender onde a IA brilha e onde ela falha. O professor Ethan Mollick, da Wharton School, descreve o conceito da "Fronteira Irregular" (Jagged Frontier): a IA supera humanos em tarefas que parecem difíceis (como resumir relatórios técnicos), mas erra em tarefas que parecem fáceis para nós (como entender nuances culturais ou sarcasmo).

Para o empresário, o segredo da produtividade está em mapear essas fronteiras dentro da empresa. Não delegue o julgamento moral ou estratégico para a máquina. A decisão aprimorada acontece quando a IA fornece as opções estatisticamente viáveis, mas o humano aplica o filtro do contexto, da ética e da visão de longo prazo para bater o martelo.

Aumento da inteligência, não substituição de pessoas

O medo de que "robôs vão roubar empregos" é natural, mas a história mostra um caminho diferente: a automação tende a eliminar tarefas, não cargos inteiros. Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sugere que a IA deve ser vista como uma ferramenta de "aumento". Ela retira o peso cognitivo das tarefas repetitivas, permitindo que o trabalhador opere no topo de sua inteligência.

Imagine seu time de vendas: em vez de gastar 4 horas preenchendo CRM e escrevendo e-mails frios, a IA faz isso, e o vendedor gasta essas 4 horas negociando e construindo relacionamento. O impacto no trabalho é a elevação da qualificação. O funcionário deixa de ser um executor de rotinas para se tornar um gestor de ferramentas inteligentes, o que exige e valoriza mais o seu intelecto.

Soft Skills como o verdadeiro diferencial competitivo

Em um cenário onde todos têm acesso às mesmas ferramentas de IA, a vantagem técnica se anula. O diferencial competitivo migra para o que a máquina não tem: humanidade. A Harvard Business Review destaca que, na era da IA, as competências comportamentais (soft skills) como empatia, liderança, criatividade e negociação tornam-se a moeda mais forte do mercado.

Empresas inteligentes estão usando a eficiência da IA para liberar tempo para o "olho no olho". Se a máquina processa o pedido, o humano garante a satisfação. A tecnologia deve rodar no invisível para que o fator humano brilhe no palco. O cliente pagará um prêmio não pelo produto em si, mas pela experiência e pelo cuidado que só uma pessoa pode oferecer.

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O Humano no comando (Human-in-the-loop)

A velocidade da IA traz riscos de vieses e erros. Por isso, o conceito de Human-in-the-loop (humano no circuito) é vital para a governança corporativa. A decisão final, especialmente aquelas que impactam pessoas (como contratações ou concessão de crédito), nunca deve ser 100% automatizada.

O papel do colaborador evolui para o de "auditor da máquina". Ele precisa ter o senso crítico para desafiar a sugestão do algoritmo. A responsabilidade ética é indelegável. O empresário deve criar uma cultura onde a equipe se sinta segura para ignorar a recomendação da IA quando sua intuição e experiência detectarem uma anomalia ou uma injustiça.

Adaptabilidade é a nova estabilidade

O impacto mais profundo da IA no trabalho é o fim da descrição de cargo estática. As funções vão mudar dinamicamente conforme a tecnologia evolui. O profissional valorizado não é mais aquele que "sabe fazer tudo", mas aquele que "aprende a fazer qualquer coisa" rapidamente.

O empresário deve fomentar a Learnability como valor central. Investir em treinamento contínuo é mais barato do que rotatividade. Ao preparar sua equipe para trabalhar em simbiose com a IA, você não apenas protege os empregos, mas cria uma força de trabalho híbrida, ágil e imbatível, capaz de navegar qualquer transformação de mercado.

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