

Há algo curioso acontecendo no mercado de consumo: enquanto grandes empresas lutam para manter ritmo de crescimento, marcas menores avançam de forma consistente, muitas vezes fora do radar do grande público. Elas não têm orçamentos bilionários nem décadas de história, mas possuem algo decisivo: clareza estratégica e execução disciplinada. O jogo deixou de ser sobre tamanho e passou a ser sobre velocidade e foco.
Crescer deixou de ser automático
Por muitos anos, bastava ampliar distribuição e investir em mídia tradicional para sustentar crescimento. Esse modelo, baseado em escala e repetição, perdeu força com a fragmentação do consumo.
Segundo relatório da EY sobre transformação em bens de consumo, empresas tradicionais enfrentam dificuldade em adaptar estruturas rígidas a um mercado cada vez mais dinâmico. Já marcas emergentes operam com times enxutos e decisões rápidas. Estrutura leve virou vantagem competitiva.
O Case de Sucesso da Vita
No episódio 485 do Café com ADM, Tonini compartilha o case da Vita, marca de suplementos que se tornou a principal referência do portfólio da Emerge. Em três anos, a empresa cresceu 20 vezes e ultrapassou R$ 100 milhões de faturamento anual. O segredo foi identificar um público mal atendido e construir uma marca com posicionamento, produto e comunicação desenhados especialmente para essa faixa etária, algo que as marcas tradicionais negligenciaram.
O poder da especialização
Em vez de disputar mercado amplo, novas marcas escolhem territórios específicos: um público, uma dor, uma proposta clara. Essa especialização gera identificação e lealdade.
Pesquisa da Kellogg School of Management aponta que consumidores tendem a confiar mais em marcas percebidas como especialistas do que em generalistas. Quando a marca fala com precisão, o custo de convencimento diminui. Ser específico é mais eficiente do que tentar agradar todos.
Dinheiro acelera, método sustenta
Capital é importante para expandir estoque, investir em marketing e estruturar equipe. Mas, sem processo claro, ele apenas amplia erros.
Estudo da INSEAD sobre escalabilidade empresarial mostra que negócios que crescem com consistência combinam mentalidade empreendedora com governança mínima bem definida. Isso significa metas claras, acompanhamento frequente e capacidade de ajustar rota rapidamente. Execução disciplinada transforma crescimento em construção de valor.
Margem como decisão estratégica
Muitas marcas iniciantes entram em guerras de preço para ganhar mercado. O problema é que preço baixo limita investimento em marketing e inovação.
Empresas que definem desde cedo uma proposta de valor forte conseguem sustentar margens mais saudáveis. E margem é o que financia a expansão futura. Sem margem, crescimento vira ilusão temporária.
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Distribuição inteligente, não dispersa
Estar presente em todos os canais pode parecer ambição saudável, mas frequentemente dilui foco e recursos. Marcas que crescem de forma estruturada escolhem canais alinhados ao comportamento do seu consumidor.
Omnicanalidade não significa estar em todo lugar, mas estar onde faz sentido. Essa escolha estratégica evita desperdício e melhora rentabilidade.
O novo perfil das marcas vencedoras
O cenário atual favorece empresas que aprendem rápido, escutam o cliente com profundidade e tomam decisões baseadas em dados reais, não em suposições.
As marcas que crescem em silêncio entendem que o mercado mudou. Elas operam próximas do consumidor, testam hipóteses com agilidade e ajustam processos constantemente. No fim, não vence quem tem mais recursos, mas quem combina visão clara com execução consistente.


