

No 24° episódio do podcast do Empreendedores, Leandro Vieira encontrou Arthur Frota, fundador da Tallos, no tipo de conversa que mistura chão de fábrica e visão de futuro. De um lado, a curiosidade de entender como uma empresa pode multiplicar receitas em poucos anos sem atalhos. Do outro, a clareza de quem atravessou a jornada inteira com a mesma obsessão: resolver um problema real, com execução disciplinada e uma cultura forte o bastante para aguentar o crescimento.
Uma ambição que nasce onde poucos apostam
Arthur Frota não romantiza a origem. Começar em uma garagem no Ceará foi duro, com recurso limitado, desconfiança ao redor e uma necessidade constante de provar valor. Ainda assim, o que ele descreve não é uma história sobre geografia, e sim sobre postura.
Ele conta que nunca usou o contexto como bloqueio. Preferiu encarar a dificuldade como treino de resistência. O resultado é uma ideia simples e poderosa: obstáculos repetem padrões, só mudam de escala. Quem aprende a atravessar os pequenos desafios cria musculatura para os grandes.
A moral prática dessa parte da conversa é direta. O ambiente pode ser desafiador, mas a ambição e a consistência decidem o alcance.
Tecnologia como ferramenta, não como identidade
Arthur tem formação em ciência da computação e manteve uma relação íntima com tecnologia desde o início. Mesmo assim, ele fez questão de destacar um ponto que muda o jogo: ser bom de produto não basta para liderar uma empresa que cresce.
Ele precisou deixar de ser apenas o “cara da tecnologia” para virar um gestor completo, capaz de tomar decisões considerando vendas, marketing, pessoas e estratégia. A imagem que ele usa é de um engenheiro aprendendo a construir uma máquina de vendas com lógica, previsibilidade e métricas.
Nessa virada, aparece um ensinamento que vale para qualquer empreendedor técnico: a tecnologia é vantagem quando vira ponte para o mercado, não quando vira desculpa para adiar a parte difícil, que é vender, entregar e manter clientes felizes.
O ponto cego que decide o timing de um produto
Uma das ideias mais fortes que Arthur compartilha é a diferença entre se apaixonar pelo produto e se apaixonar pelo problema. Ele admite que começou com uma visão mais avançada do que o mercado estava pronto para comprar.
Ao perceber isso, fez o movimento que muita gente evita. Recuou, ajustou o foco e priorizou a dor urgente do cliente. Na prática, a Tallos se tornou relevante ao unificar canais e organizar o relacionamento digital das empresas quando o Brasil ainda vivia uma fragmentação enorme de ferramentas.
O aprendizado aqui é sobre timing. Nem sempre a melhor tecnologia vence primeiro. Vence quem entrega a solução certa na hora certa, com a leitura correta do comportamento do consumidor.
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Crescer 16 vezes exige foco e coragem para cortar
Quanto ao crescimento acelerado, Arthur aponta para um conceito que atravessa toda a conversa: foco. Ele afirma que não escalou tentando tudo ao mesmo tempo. Testou, encontrou um canal que funcionava e colocou energia no que dava retorno, sem se dispersar com modas ou pressões externas.
Mas a parte mais desconfortável vem quando ele fala de cultura. Em um momento crítico, percebeu que estava crescendo com comportamentos errados dentro da empresa. O resultado foi uma decisão impopular e radical: demitir uma parcela enorme do time para reconstruir o ambiente com padrões claros.
O que fica desse trecho não é uma defesa de dureza, e sim de responsabilidade. Cultura é o que a liderança permite. Se padrões ruins são tolerados, eles viram regra. Se padrões são definidos e reforçados, o time certo floresce.
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Da garagem a um exit de 9 dígitos: o case da Tallos | Empreendedores 24


