
Inovação deixou de ser um discurso e passou a ser uma exigência prática para empresas que querem crescer e permanecer relevantes. Em diferentes setores, algumas empreendedoras têm se destacado justamente por transformar essa ideia em execução concreta.
Seja ao modernizar negócios tradicionais, estruturar processos de inovação ou aplicar inteligência artificial no dia a dia das empresas, histórias como as de Ariane Martha, Marília Cardoso e Adeise Marcondes, membras do Clube Black do Empreendedores, mostram como novas abordagens estão redesenhando mercados inteiros.
Inovar também é organizar o que já existe
No caso de Ariane Martha, a inovação começou dentro de um negócio tradicional. À frente da Brasct Contabilidade, empresa familiar fundada na década de 1970, ela assumiu o desafio de atualizar um modelo que, por muitos anos, seguiu padrões mais conservadores.

Sua trajetória começou cedo, ainda na adolescência, o que permitiu um entendimento profundo da operação. Ao assumir a liderança, o movimento não foi de ruptura, mas de evolução. Ariane implementou tecnologia, revisou processos e tomou decisões estratégicas importantes, como a especialização no atendimento ao comércio digital.
Essa escolha reposicionou a empresa no mercado. A Brasct passou a atuar com vendedores de marketplaces, distribuidores e importadores, além de expandir sua operação para um modelo 100% digital, atendendo clientes em todo o país.
A inovação, nesse caso, não veio de um produto novo, mas da capacidade de adaptar um negócio tradicional às demandas de um mercado mais dinâmico e digital.
Estruturar a inovação como estratégia
Enquanto algumas empresas ainda tratam inovação como algo pontual, Marília Cardoso, à frente da Palas, trabalha com um conceito diferente: inovação como sistema.

A empresa teve papel relevante na implementação da ISO de Inovação no Brasil, uma certificação que propõe a criação de estruturas formais para que a inovação aconteça de forma contínua dentro das organizações.
Segundo Marília, um dos principais erros das empresas é confundir inovação com criatividade ou tecnologia isolada.
"Muitas empresas ainda acham que post-it e sala colorida são sinônimo de inovação. Criatividade é apenas o primeiro passo nessa jornada. Se não vier acompanhada de processos bem definidos, papéis e responsabilidades, viram o que chamamos de voo de galinha. É aquela coisa que começa com muita empolgação, mas não tem força suficiente para alçar voo"
Na prática, a inovação sustentável depende de três pilares: cultura, processos e tecnologia. Sem cultura, as pessoas não se engajam. Sem processos, as ideias não evoluem. E sem tecnologia, não há escala.
Outro ponto importante é a expectativa de resultados imediatos. A pressa, nesse contexto, pode comprometer todo o processo.
"Inovação requer tempo, teste e ajuste de rota o tempo todo. A pressa é uma das maiores inimigas da inovação. Por isso mesmo é tão fundamental investir na estruturação da governança. Se não, gasta muito tempo e dinheiro esperando resultados que nunca virão"
A experiência da Palas mostra que empresas que tratam inovação como estratégia estruturada conseguem gerar impacto real e consistente no longo prazo.
Inteligência artificial aplicada ao dia a dia
Adeise Marcondes atua em uma frente mais diretamente ligada à tecnologia, com a criação da Tilti, uma plataforma baseada em inteligência artificial voltada para operações empresariais.

A proposta da solução é resolver um problema comum: a dificuldade das empresas em oferecer atendimento rápido, preciso e contínuo. A plataforma funciona como um sistema de agentes inteligentes que conseguem atender clientes 24 horas por dia, simultaneamente, com alto nível de precisão.
"A Tilti bot atende uma necessidade real das empresas que precisam de atendimento rápido e com precisão para que seus clientes sejam atendidos 24h por dia. […] As empresas pecam por não terem respostas rápidas, e é a velocidade que move o ponteiro no faturamento. Afinal, o concorrente está a um clique de distância"
Além do atendimento, a ferramenta também pode ser aplicada internamente, apoiando equipes comerciais, suporte técnico e processos operacionais. A lógica é simples: velocidade e consistência impactam diretamente o faturamento, especialmente em mercados onde a concorrência está a poucos cliques de distância.
Um dos diferenciais da solução está na estrutura tecnológica mais robusta, desenvolvida para evitar falhas comuns em sistemas mais simples de IA, como respostas imprecisas ou inconsistentes.
Apesar do potencial, Adeise destaca que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para aplicar inteligência artificial de forma estratégica.
"Os principais desafios ainda são a compreensão pelo consumidor da importância e altíssima capacidade de trabalho da IA estruturada em suas operações, somada ao surgimento de ferramentas genéticas de IA que acabam atrapalhando o consumidor a perceber valor […] Levamos cerca de 9 meses para estruturar o bot ultra-inteligente que temos hoje, justamente pela necessidade criar códigos fortes, seguros e independentes"
Adeise enxerga a Inteligência Artificial muito subutilizada diante o momento de transformação e revolução na tecnologia e explica a sua visão sobre como as empresas devem tomar decisões e gerenciar suas operações no futuro, com a integração de IA.
"A IA ainda é subutilizada na grande maioria das empresas, apenas uma pequena parcela do mercado está atenta às fantásticas possibilidades que a IA pode proporcionar. Em breve as empresas e empresários que não adotarem um sistema forte e bem treinado de IA, como a Tilti, sentirão a perda de faturamento no bolso por demorar a ingressar. […] Não basta apenas contratar um chat de IA, é necessário entender qual é o melhor sistema de IA que respeite e atenda as necessidades reais da empresa, para que não se torne mais um custo desnecessário no caixa"


