
No Radar ADM #3, um trecho do podcast do Empreendedores coloca a pergunta que muita gente evita: usar IA o tempo todo nos deixa mais inteligentes ou mais acomodados? A conversa com Lucas Montarroios, da Hostdime Brasil, aponta para uma resposta prática: a tecnologia não decide por nós. O impacto cognitivo depende do desenho do uso, da intenção e do quanto você mantém o “músculo mental” ativo.
A pergunta real não é sobre a IA e sim sobre o usuário
O episódio reforça uma virada simples e desconfortável: a IA não é boa nem ruim para a mente por natureza. Ela vira atalho ou alavanca conforme a rotina. Se você terceiriza pensamento, revisão e decisão, tende a reduzir esforço cognitivo. Se usa como provocação, comparação e ampliação de repertório, pode ganhar qualidade de raciocínio.
Essa visão conversa com achados em ciência cognitiva sobre metacognição, a habilidade de observar como você está pensando e ajustar o processo. É o que separa uso consciente de uso automático.
O risco do descarregamento cognitivo existe e é previsível
O episódio do Radar ADM cita o “descarregamento cognitivo” como um risco quando ferramentas assumem tarefas que antes exigiam foco e memória. O ponto não é demonizar tecnologia, mas reconhecer um padrão: quando o esforço cai demais, a habilidade pode atrofiar.
Pesquisas em psicologia cognitiva e educação têm mostrado que ferramentas digitais podem reduzir a retenção e a autonomia intelectual quando substituem o trabalho mental em vez de apoiá-lo. Estudos de instituições como a OECD discutem esse desafio no contexto de aprendizagem e competências para o futuro do trabalho.
A IA também pode ser extensão da mente quando usada com método
No trecho, Leandro Vieira relata uma mudança de chave: ao parar de usar a IA apenas para “fazer por ele” e começar a usá-la para explorar possibilidades, ele passou a se sentir mais inteligente, não menos. O ganho vem quando você transforma a IA em um parceiro de expansão, não em um substituto.
Esse uso se aproxima do que universidades como Stanford estudam em aprendizagem e resolução de problemas: ferramentas funcionam melhor quando ajudam a organizar, testar hipóteses e acelerar iterações, mantendo o humano responsável pelas escolhas.
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O que muda para líderes e empreendedores na prática
A conversa destaca um ponto central para quem decide e executa: o risco não é a IA existir, é você virar operador de prompts sem pensamento próprio. Empreendedores que usam IA para desafiar premissas, simular cenários e estruturar decisões tendem a ganhar velocidade com qualidade. Já quem usa só para “fazer uma copy” ou “escrever por escrever” perde repertório e clareza.
Aqui, a recomendação implícita é de liderança: criar uma rotina em que a IA aumenta o nível do trabalho, em vez de diminuir a exigência do raciocínio.
O critério é simples e dá para medir no dia a dia
Um teste direto ajuda: depois de usar IA, você consegue explicar o raciocínio com suas palavras? Consegue defender a decisão? Consegue adaptar a resposta a um contexto novo? Se não, você terceirizou demais. Se sim, você usou como apoio.
Escute a conversa na íntegra com Lucas Montorroios sobre Inteligência Artificial no episódio completo do podcast Empreendedores, no Spotify:
Empreendedores #20: O futuro da infraestrutura digital, com Lucas Montarroios



